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9 de agosto de 2018

Essa guerra estúpida

Perdeu os braços e as pernas na guerra e agora está reduzido ao abdômen e à cabeça — que ainda pensa, e sofre. O que restou dele foi colocado numa bolsa. Nela tinha um buraco de onde saía seu rosto. E os olhos, ah, os olhos!

Os médicos e enfermeiros fizeram o que puderam e agora só olham para a bolsa pendurada no teto, oscilando como um pêndulo de relógio antigo, que marca tragédias, nunca alegrias. Olham e balançam a cabeça.

Com o que lhe restou de voz, um dia pediu que o declarassem morto e avisassem sua família. Na casa velha chegou um telegrama, que foi lido aos prantos: “Morreu em combate. Sentimos muito. Assinado: o Exército.”

A mãe se desesperou e gritou para o céu: “Preferia que meu filho tivesse nascido sem braços nem pernas, assim nunca teria ido pra essa guerra estúpida”.

 




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9 de agosto de 2018 < a href="http://homemdepalavra.com.br/author/mbaggio/" title="Visualizar todas as postagens por Mario baggio" rel="author">Mario baggio Contos braços, estúpida, guerra, pernas

               
              
            
                

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