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18 de novembro de 2016

Essa maldita névoa!

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Eu, bem, e você, mãe? Parece cansada. Vou colocá-la aqui na espreguiçadeira, procure descansar um pouquinho. Não vá até o jardim, pode se resfriar. Eu já estou terminando. Pensei que isso fosse ser mais fácil, mas a terra está ressecada e fria, tive que fazer muita força pra cavar. E eu já não tenho mais tanto vigor, o tempo, quando passa, acaba com a gente. Que manhã gelada, não? E com essa fumaça fica difícil enxergar até o que está diante do nariz. Quantos dias já sem que o sol apareça? Semanas? Essa maldita névoa!

Aqui vai ser um lugar muito agradável, assim que tudo estiver pronto você vai ver como ficará bonito. Quando chegar a primavera e o tamarindeiro florescer, então… Não posso me esquecer de deixar escrito que quero ser enterrado aqui, à sombra dessa árvore. É necessário firmar um documento, assim diz a lei. É dessa maneira que funciona, eu já me informei. Pronto, acho que agora o buraco está fundo o suficiente. Terminei, mãe. Mas não, não se levante ainda, continue aí. Eu ajudo, venha, coloque os braços em volta do meu pescoço. Você deveria perder uns quilos, mãe, está pesada, e isso não é bom com a idade que tem. Um pouquinho mais e pronto, tudo resolvido. Está confortável aí embaixo? Parece que finalmente o sol vai aparecer hoje, vejo umas luzes surgindo lá adiante. Um pouco de calor, depois desse tempo gelado, é tudo o que a gente quer, não é verdade? É uma pena que você não possa ver. Essa maldita névoa, mãe!

 




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18 de novembro de 2016 < a href="http://homemdepalavra.com.br/author/" title="Visualizar todas as postagens por " rel="author"> Contos enterrado, mãe, névoa

               
              
            
                

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