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16 de maio de 2016

Estamos com medo

carta2Tempos atrás, a cada dois ou três meses nossa rotina era interrompida pela chegada dela. Com o tempo, acabamos nos acostumando. Não sei o motivo, já que não somos ricos, nem famosos, nem temos políticos em nossa família. Tampouco somos falastrões ou nos metemos em manifestações ou reuniões perigosas. O fato é que acontecia com alguma frequência e, com o tempo, e por isso mesmo, deixamos de lhe dar importância.

Recebíamos cartas anônimas, dessas com letras recortadas de jornais e coladas numa folha em branco. Impossível identificar o remetente. O conteúdo era variado: desde “vou matar todos vocês” até “vocês vão pagar muito caro por tudo”, passando por “eu sei o que vocês fizeram” e “tomem muito cuidado, estou de olho”.

Eram tantas cartas que já nem dávamos atenção. Há dois anos recebemos a última, que gelou nossa alma. Dizia simplesmente: “Lamento o equívoco”. Desde então as cartas pararam de chegar. Um mês depois disso, algo terrível aconteceu: toda a família do 6º B, nossos vizinhos do andar de baixo, foi decapitada. Nenhum suspeito foi preso.

Ontem ficamos desnorteados: recebemos uma carta anônima. Não a abrimos ainda. Estamos com medo.

 




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