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17 de novembro de 2016

Eu confesso

confesso2

Faço duas horas de ginástica por dia. Leio quatro livros por mês. Espero a saída da lua todas as noites e tiro selfies com ela ao fundo. Acendo uma vela a cada dia e todas as manhãs medito perto da janela do meu quarto, olhando os carros que entram e saem do estacionamento (sim, a vista do meu quarto não possui glamour algum). Conto os segundos enquanto urino, e essa atividade nunca ultrapassa vinte e cinco, mas já cheguei a urinar por longos trinta segundos: foi na despedida de solteiro de um amigo, quando bebi muita cerveja. Tapo os ouvidos e fixo os olhos em alguma coisa verde ao ouvir uma sirene. Conto até dez e giro o indicador no meu umbigo enquanto o computador acende a luz e aparece Bem-vindo escrito em branco contra o fundo azul. Quando estou em algum lugar ao qual chegam muitas pessoas, e me vejo na obrigação de cumprimentar todas elas, procuro de imediato uma porta nos fundos para escapar o mais rápido possível dali. Nunca tranco a porta de nenhum banheiro quando o uso, por medo de não conseguir sair depois. Nos aviões, só me sento no corredor. Não entro em elevadores. Nunca desembrulho presentes com delicadeza: rasgo o papel colorido com gestos intempestivos e o mistério que todo embrulho carrega é logo revelado num três por dois; sei que isso é um ato infantil e quase selvagem, mas não tenho paciência para fazer diferente. Costumava admirar as igrejas e fazer o sinal da cruz ao passar na frente de uma; hoje só admiro.

O resto de mim é muito íntimo.

 




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