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19 de julho de 2017

Eu ri muito na cara dele

Meus pequenos estão tristes. Tenho três, o mais velho e o do meio sabem por que estão assim, o menorzinho ainda não sabe que o que sente é tristeza. Estão tristes porque têm fome e eu não tenho como lhes dar de comer. O mais velho segura a cabeça, que dói, e não consegue se concentrar para fazer a lição. O do meio não chora, mas não encontra mais graça no trenzinho de madeira que tanto lhe fazia sorrir. O menorzinho, esse sim, chora, um choro baixinho e silencioso, como se não quisesse incomodar. A mãe deles está num canto, parada, olhando-os, pensando no que poderia fazer para inventar algo que os distraísse e os fizesse esquecer da fome.

Meus pequenos sofrem, e eu não sei como estancar o sofrimento deles. O que sei é que o erro é meu por fazê-los sofrer.

Saí para a rua e entrei num supermercado, disposto a conseguir comida para alimentar meus pequenos. Eu tinha uma arma escondida sob a camisa, um pedaço de pau, e iria usá-la caso alguém me impedisse. Circulei por entre as gôndolas e fui pegando as coisas. Peguei frutas e mantimentos e caminhei na direção da porta de saída. O segurança me agarrou pelo braço e me acusou de roubo. Eu respondi que era para alimentar meus pequenos, pois eles estavam sofrendo por um erro meu. Ele argumentou que eu não poderia cometer um erro para justificar outro. Eu ri na cara dele, ri muito na cara dele, livrei-me de sua mão pesada e fui embora para casa.

 




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