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4 de maio de 2017

Falando sério

Peço desculpas pela sinceridade, mas a verdade deve ser dita. Isso aqui está mal, muito mal, ruim mesmo, péssimo. O senhor não fez o trabalho como deveria. Vamos ver, por onde começo? Falando sério: há muitas coisas mal acabadas, como se tivessem sido feitas com pressa e sem muito esmero. Os dentes, por exemplo, são um desastre, o senhor há de concordar comigo. Uns de leite, que em pouco tempo caem e depois a longa espera pelos definitivos, para quê? E a pele dos cotovelos, o que me diz da pele dos cotovelos? E a dos joelhos? Dois erros absurdos de adequação, não há como negar. As orelhas são outro problema, dois horríveis pedaços de cartilagem pendurados ao lado da cabeça, não há design que resista a isso, pelo amor! E o senhor pode justificar a mais que perigosa proximidade entre os aparelhos excretor e reprodutor? Claro que não, porque não há nenhuma explicação para tamanho descalabro. E os mosquitos, para que servem? O ornitorrinco, o rinoceronte, o dragão-de-komodo… O senhor fez isso com os restos de alguma outra invenção, não foi? Quis dar uma de esperto, eu logo vi. O fígado, que coisa tenebrosa! Só secreta a bile gerada pelo ódio, quanta inutilidade! E essa quantidade enorme de galáxias e buracos negros que não servem para nada, quanto desperdício de matéria-prima! Olhe, vou dizer de maneira bem clara: se quiser passar de ano e pegar o diploma, tem que refazer o projeto inteirinho. E nem pense que terá seis dias para isso e o sétimo para descansar, como da última vez. O senhor tem que entregar o trabalho pronto amanhã, sem falta. E jogue no lixo agora mesmo toda essa porcaria que aí está, anda, vamos!

 




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