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19 de março de 2019

Faroeste

A ponta do cano apontada para a têmpora. É a melhor forma de se suicidar. O homem de sobretudo e chapéu pretos recebeu o dinheiro que eu lhe dei. Conferiu e guardou no bolso da calça o maço de notas e me entregou a arma num saco plástico. Deu a última tragada no cigarro e jogou a guimba longe. Soprou a fumaça no meu rosto. Ele sorriu ao me ver tossir. Lembranças para a família, disse ele, deu meia-volta e se afastou.

O disparo produziu um barulho seco, como uma espoleta, mas muito mais potente. Olhei ao redor, mas só o vento estava ali àquela hora. O homem caiu de boca no chão e ficou imóvel. O sangue começou a sair do buraco na nuca em pequenos riachos vermelhos e incessantes. Cheguei perto, aproximei meus lábios de seu ouvido direito e sussurrei com vagar e raiva Não gosto que soprem fumaça na minha cara. Recuperei o dinheiro que tinha dado a ele e sumi de lá.

 




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19 de março de 2019 < a href="http://homemdepalavra.com.br/author/mbaggio/" title="Visualizar todas as postagens por Mario baggio" rel="author">Mario baggio Contos arma, faroeste, fumaça, sangue

               
              
            
                

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