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1 de dezembro de 2014

Fatal

olhos2

     Olhou-se no espelho e começou. O contorno preto dos olhos, feito com lápis de ponta      grossa, trouxe o mistério necessário. A sombra lilás, mais forte no meio da pálpebra, mais    esmaecida nos cantos, deu a profundidade desejada aos olhos cor de violeta. Nos lábios, o batom vermelho mais que vermelho – aquela boca carnuda parecia estar sangrando. A escova passada com suavidade, mas firmeza, deixou os cabelos castanhos parecidos com a juba dum leão, emoldurando o anguloso rosto perfeito. O rímel tratou de encurvar os cílios e era o que faltava àquele olhar fatal. Colocou a calcinha minúscula que comprara na última semana e que evidenciava seus quadris em forma de violão. Em seguida calçou as meias negras. O sutiã veio depois, acolchoando os seios pequenos e redondos cujos mamilos apontavam para o alto. Por fim, o vestido justo, curto e decotado, feito de um tecido leve e brilhante. Negro, como devia ser para a ocasião. Subiu nas sandálias salto quinze e deu uma última olhada no espelho. Gostou do que viu. Só então atreveu-se a passar pela porta e ganhou a rua. Decidido.




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