Close

11 de janeiro de 2017

Felino

A ideia do suicídio assemelha-se a um gato sinuoso de pelugem suave.

Ele se deixa acariciar,

solta aqui e ali um miado de prazer

e depois vai embora,

senhor de si e da situação.

Você fica com a mão vazia no ar,

sentindo que alguma coisa faltou,

ficou incompleta,

murchou.

 

Mais tarde, outro dia, ele volta

— a ideia,

o suicídio-felino —

e acomoda o lombo sob a sua mão parada,

pedindo carinho na linguagem muda dos gatos,

e você o acaricia de novo e de novo,

porque já o conhece e sabe como tudo funciona.

 

Nas horas de angústia é quando o felino surge

e permanece, sábio

— porque ele sente quando deve vir,

e também quando ir,

ao sabor da temperatura e do dia.

 

Aí…

 

Em outras ocasiões a ausência física do gato é insuportável,

mas de alguma maneira ele está presente:

há o eco dos miados de prazer

e o cheiro do mijo dele nas suas calças.

 




Tags:, ,

11 de janeiro de 2017 < a href="http://homemdepalavra.com.br/author/" title="Visualizar todas as postagens por " rel="author"> Poesia felino, gato, suicídio

               
              
            
                

Deixe um comentário