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1 de junho de 2016

Gloriosas

velhas dançarinasTem vestido de tafetá? Tem, em degradê, com colar de pérolas e brincos combinando. Sapatos de saltinho, que é para os pés não ficarem tão grudados no chão e poderem voar com mais desenvoltura. E como voavam! E tome rumba, samba, tango, bolero e samba-canção. Para o samba-exaltação era necessário usar muito os braços e aí, sim, a sensação de voar era completa.

Depois de mais de uma hora no sacolejo, os braços e as pernas se desenredam e sobram as gargalhadas. A professora as ajuda a — tlac, tlac, tlac! — reencaixar os ossos, e elas recolhem as próteses e bengalas espalhadas pelo salão. Saem gloriosas da academia de baile, com o encontro da próxima semana já marcado. Têm muito o que fazer ainda: pagar as contas no banco, consolar a filha que acabou de se divorciar, cozinhar o frango com quiabo que os netos adoram e pegar os bisnetos na creche. Com muita risada, que com riso nada mais é preciso.

 




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