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9 de maio de 2016

De homem pra homem

de homem pra homemOs perseguidores eram quatro, e Jonas corria o mais rápido que suas pernas permitiam. Não era fácil, com aqueles sapatos de salto doze e a saia justa. Nem adiantava gritar, ninguém se importava. Seu choro borrava a maquiagem, transformando seu rosto numa grotesca máscara colorida. Perdeu a peruca numa esquina. Chegou, ofegante, até a entrada do prédio em que morava. Estava para abrir a porta quando os quatro o alcançaram.

Jonas tentou se proteger das bofetadas e dos chutes, em vão. Caído na calçada, as mãos cobrindo a cabeça, recebeu o cuspe e os impropérios dos quatro. Empurrado para dentro a pontapés, viu o sangue marcando o chão por onde seu corpo era arrastado. Estava certo de que seria morto naquele instante. Foi quando Calixto, o líder da gangue, pediu que todos parassem:

— Chega, galera, essa bicha já levou o que merecia. Me deixem aqui com ele, vou dar uma lição extra pra esse puto.

Os três saíram do prédio, não sem antes darem a última cuspida em Jonas. “Morra, seu filho da puta!”, disse um deles.

Quando fecharam a porta, Jonas tentou se arrastar para um canto, mas Calixto o segurou pelas pernas. Aproximou seu rosto do dele e sussurrou: “Agora somos só nós dois, bicha asquerosa. De homem pra homem”. Arrancou a saia de Jonas, puxou a calcinha até os tornozelos e o penetrou com violência, sujeitando-o pelos cabelos. “Isso é pra você aprender a não me desprezar. Quem você pensa que é?”. A cada estocada, Calixto destilava sua raiva no ouvido de Jonas: “Essa é pela noite em que você não quis entrar no meu carro”; “essa é por dizer que eu não sou o seu tipo de homem”; “essa é por falar pra todo mundo que gosta mais do Armando do que de mim”; “essa é por…”.

 




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9 de maio de 2016 < a href="http://homemdepalavra.com.br/author/" title="Visualizar todas as postagens por " rel="author"> Contos bicha, homem, raiva, violência

              
            
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