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10 de janeiro de 2021

Hora extra

Dona Cleide, a senhora da faxina, chegou pontualmente à agência bancária onde trabalhava. Abriu a porta com sua própria chave, bateu o ponto de entrada e começou de imediato a tirar o pó das mesas e equipamentos. Esvaziou as latas de lixo. Esfregou o vidro das janelas. Ficou surpresa ao ver que àquela hora da manhã já havia funcionários por lá, cada um em sua escrivaninha. “Estão fazendo hora extra”, pensou ela. Não falou com nenhum deles, seguindo a ordem expressa de seu chefe, que não queria ver a turma da limpeza perdendo tempo em conversinhas desnecessárias com o pessoal da agência durante o expediente. “Aqui é lugar de trabalho, não uma cafeteria para contar as novidades”, dissera o responsável pela limpeza.

Para evitar falatório, Dona Cleide tinha se acostumado a executar o seu serviço sem nem olhar para os funcionários. Hoje foi assim também. Ela varreu as salas com capricho e zelo, como fazia sempre, e tudo ficou brilhando. Terminado o trabalho, Dona Cleide bateu o ponto de saída e foi embora. Deixou os funcionários madrugadores do mesmo jeito que os tinha encontrado: com as pernas e os braços amarrados às cadeiras e uma mordaça na boca. E a porta do cofre da agência aberta de par em par, exibindo o vazio que havia lá dentro.

 




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