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11 de maio de 2020

Humano

Este silêncio de agora

é digno de uma catedral.

Uma catedral de sonhos e de tempos passados,

de adeuses e solidão.

Uma catedral de infinitos poemas

e terríveis enganos.

Dessa catedral invisível

eu sou o bispo e o beato,

o que faz a faxina,

o que pega o dinheiro,

sou o crucificado e a Pietá,

a vela do defunto,

sou o bebê batizado,

o pecado e a absolvição,

sou o apóstolo e o demônio,

a vida e a morte,

o fogo e o alívio,

a alma eterna e seu descanso.

 

Sou a insônia da madrugada,

o grito encalacrado,

um dos muitos lagartos que,

saindo de todos os buracos,

triunfou,

travestido de humano.

 




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