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19 de março de 2015

Iluminando a vida real

olhos

Aureliano tem doze anos e passa as noites olhando para o céu, por isso tem olhos de estrelas. Todos falam dele, quando esse menino vai tomar jeito? Quando o encontram na rua, porém, ninguém tem coragem de dizer nada. Ficam mudos diante de seus olhos, perdidos diante do olhar e da luz que sai dele, uma luz que não se explica. E naquela luminosidade cada um encontra uma imagem de sonho e um motivo para se sentir melhor.

Nos olhos de Aureliano a professora do colégio se vê montada numa motocicleta, percorrendo a toda velocidade estradas arborizadas e cercadas de belas montanhas. O padeiro derruba todos os edifícios da cidade e no lugar deles constrói jardins de margaridas e rosas e também pomares com laranjeiras, ameixeiras e macieiras carregadas de flor e fruto. A mulher do leiteiro faz soar os sinos da catedral, criando sonatas da mais rica melodia. E o dono do boteco da esquina se converte num habilidoso construtor de elevadores, tão sofisticados que alcançam as nuvens.

Com generosidade e seus olhos de estrelas, Aureliano realiza sonhos. Por isso, naquela cidade, a professora do colégio pedala velozmente sua bicicleta e nunca chegou atrasada às aulas. O padeiro sempre perfuma os pães com o néctar da flor de laranjeira. A mulher do leiteiro faz tilintar as garrafas de leite quando as coloca no caminhãozinho para começar as entregas. E o dono do boteco da esquina obtém uma espuma generosa e branca como as nuvens quando tira o chope da máquina.

Naquela cidade todos possuem um pedacinho de estrela em sua vida, ainda que não se apercebam disso.

 




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19 de março de 2015 < a href="http://homemdepalavra.com.br/author/" title="Visualizar todas as postagens por " rel="author"> Contos estrelas, olhos, vida real

               
              
            
                

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