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16 de março de 2015

Instinto

andorinhas grey

Esperou que a noite descesse e a cobrisse com o manto delicado da cumplicidade. Protegeu o ninho com as asas abertas e voltou a contar os ovos: um, dois, três, quatro e cinco. Aflita, quando chegar o tempo de romperem a casca, não haverá lugar para todos, pode ser que morram sufocados, acariciou um a um com as penas. A andorinha fechou os olhos e, com o bico, perscrutou o mais frágil deles, o menorzinho deles, aquele que teria mais dificuldade para sobreviver. A esse, empurrou para fora do ninho, lançando-o ao vazio e às rochas mais abaixo. Cobriu com cuidado os demais ovos, seguramente para que não escutassem o verdadeiro som da natureza, o cruel, o implacável, o racional, o necessário. O doloroso. Em alguns minutos seus olhos de ave verterão lágrimas de ave, mas agora, imóvel, ela acalenta os ovos que permaneceram, gestando a vida que em breve estará piando por aí.

 

 




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16 de março de 2015 < a href="http://homemdepalavra.com.br/author/" title="Visualizar todas as postagens por " rel="author"> Contos andorinha, instinto

               
              
            
                

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