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4 de maio de 2018

Labirinto

Mal entrou no labirinto, desapareceu nas sombras e não enxergou mais nada. Sentiu o peso do escuro ao redor. Como sou idiota!, pensou, além do novelo tinha que ter trazido pelo menos uma lanterna, qualquer coisa que iluminasse esse breu. Mas já estava dentro, então esperou que seus olhos se acostumassem com a escuridão e, tateando as paredes, avançou a passos lentos. Foi desenrolando o novelo conforme caminhava, queria saber como voltar caso não encontrasse o que desejava.

Quando chegava a uma interseção, pensava Esquerda ou direita? Se ia pela esquerda, percebia o quanto tinha se equivocado, e voltava. O mesmo acontecia quando escolhia a direita. Então retornava ao ponto inicial e recomeçava. Nas encruzilhadas decidia pelo uni-duni-tê; o importante era prosseguir. À medida que avançava, entretanto, crescia sua confiança: Eu vou encontrar, sei que vou encontrar desta vez.

Depois de um tempo que lhe pareceu infinito, caminhando sôfrego no escuro, os braços esticados à frente do corpo procurando algo em que se apoiar, começou a perceber não ainda a luz plena, mas um abrandamento da escuridão. Assim, passou a mover-se com mais agilidade na direção da saída. No extremo do último corredor viu uma porta. Não era bem uma porta, só uma abertura para um salão enorme onde tremia uma luz azul. Ali estava, por fim, o que ele buscava: imóvel, sentado de costas para a entrada, um homem via um filme de amor na televisão. E chorava.

 




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4 de maio de 2018 < a href="http://homemdepalavra.com.br/author/mbaggio/" title="Visualizar todas as postagens por Mario baggio" rel="author">Mario baggio Contos direita, escuridão, esquerda, labirinto

              
            
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