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24 de setembro de 2015

Larissa

larissa– Alô, pois não?

– Falo com a Larissa?

– Como?

– Quanto custa uma chupada?

– Como é que é?

– Uma chupada. Quanto custa?

– Quem está falando?

– Um cliente.

– Cliente? Cliente do quê?

– Ora, do que seria? Um cliente, e basta.

– Acho que o senhor se enganou de número.

– Você não é a Larissa?

– Não, claro que não.

– E quem é você?

– Não importa, não tenho que falar quem eu sou para um desconhecido.

– Você é um homem?

– Lógico, não percebeu pela voz?

– Hum… Que seja, eu nunca fiz com homens.

– Como?

– É mais caro?

– O senhor está passando dos limites. Que conversa é essa? Como conseguiu meu número?

– No seu anúncio. Lá estava o número.

– Que anúncio? Não sei de anúncio nenhum.

– Pois eu estou com o jornal aqui na minha frente.

– Escute aqui…

– Quer que leia para você?

– Bom, vá lá. Leia.

Meu nome é Larissa. Sou carinhosa, corpo sarado e quente como brasa de churrasco. Faço maravilhas com meus lábios. Ligue para mim, se tiver coragem. O seu número de telefone está no fim. E então?

– Meu amigo, o senhor está completamente enganado…

– Não vai me dizer quanto custa uma chupada? Estou curioso para conhecer esses lábios.

– Eu repito que sou um homem, meu nome não é Larissa e o senhor está equivocado. Ligou para o número errado. Se não parar de me importunar, vou chamar a polícia. Eu sou pai de família, tenho filhos, entendeu?

– Mas eu poderia pagar bem, sou muito rico.

– Ah, sim, claro, muito rico… Sei, sei…

– Não seja difícil! Pra mim é uma diversão sem consequência, uma brincadeira para espantar o tédio.

– Mas que situação maluca! Senhor, vamos acabar com essa história agora mesmo. Estou ficando sem paciência.

– Vamos, confie em mim. Serei muito discreto. E pagarei o que você pedir. Você deve estar desempregado, senão não estaria em casa a essa hora.

Silêncio.

– Alô, Larissa?

Silêncio.

– Paga quanto?

– O suficiente para você fazer uma bela viagem de férias com seus filhos.

– Tenho quatro filhos. E mais a minha mulher. Vai ficar muito caro.

– Eu não me importo. Como já disse, eu sou muito rico, Larissa, e…

– Não me chame de Larissa!

– Desculpe. Que nome você prefere?

– O meu. Que eu não vou dizer qual é. Mas não é Larissa.

– Bom, está bem. E então, quanto você cobra por uma chupada?

– Não sei. Espere um momento. Tenho que pensar, fazer umas contas. Ligue de novo em cinco minutos.

 




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