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10 de fevereiro de 2016

Lurdinha

lurdinhaQuando Lurdinha nasceu, exclamaram Coitada!

Com o passar dos meses, acrescentaram ao Coitada! a frase Olhe a cabecinha dela, que pequenininha! Lurdinha cresceu com sua pequena cabeça e foi feliz, mesmo que não entendesse tudo o que a mãe lhe dizia. Chegou à avançada idade de seis anos sem assimilar muita coisa, embora compreendesse o necessário.

Se tivesse que perguntar algo na rua – por exemplo, onde ficava a casa de sua amiga Filó -, Lurdinha, coitada!, não conseguia prestar atenção ao que lhe diziam. Fixava os olhos nos gestos do interlocutor, escutava sua voz e divagava. As palavras que ouvia passavam como brisa fresca por seu cérebro e iam embora. Filó certamente se cansaria de esperar pela amiga.

Lurdinha saboreava os gestos, o olhar, os silêncios, o jeito daqueles que falavam com ela. Descobria os segredos, os desejos, as tristezas, as esperanças, as mágoas, as alegrias. Seu corpo às vezes doía com tanta informação. Outras vezes sentia o coração pulsar mais rápido com a poesia que, sem esforço nenhum, conseguia criar na brevidade de uma pergunta.

Em sua meninice, e com a cabeça pequena, Lurdinha usava a lógica natural: Acho que não vou encontrar a casa da Filó assim, de primeira, mas com poesia o caminho até lá vai ficar bem mais bonito.

E lá ia Lurdinha, coitada!, lambendo com gosto um picolé Chicabon.

 




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10 de fevereiro de 2016 < a href="http://homemdepalavra.com.br/author/" title="Visualizar todas as postagens por " rel="author"> Contos coitada, Lurdinha, poesia

              
            
  1. Nossa…isso deveria ser publicado em revistas medicas.Deveria ser enviado a todas as entidades que cuidam de pessoas com necessidades especiais.
    Você tem o dom , Incrivelmente lindo.

  2.     
                        
              
            
                

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