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24 de julho de 2020

Mais simples

Não peço (nunca pedi)

nada especial.

Acabou o detergente da cozinha?

Ter um frasco novo na despensa

me faz sorrir.

 

O estômago rugiu no passado

e hoje, espírito de vingança,

a farinha desliza entre meus dedos

e gera o pão. Alimento ancestral

que acalma,

como a polenta, a sopa, o café e o chocolate.

 

Não peço um abrigo antinuclear

que me proteja da barbárie destes dias.

Só me fazem falta o espanto e a mobilidade:

a janela aberta para olhar,

e o passo, que a parede impede.

 

Finda a guerra,

ter um par de sapatos novos para andar

e pisar as poças d’água

é tudo o que peço.

 




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