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26 de junho de 2017

Maridos

As patroas das empregadas domésticas são muito complicadas e exigentes. Reclamam de qualquer coisinha. Basta um isso para que acusem as trabalhadoras de roubo. Acusam-nas de espiar a dona da casa, de fazer piada, de caçoar, de fazer pouco caso. Elas odeiam quando as moças mudam os objetos de lugar, usam o sabonete do lavabo, alisam os cabelos sentadas na penteadeira, abrem a geladeira na maior sem-cerimônia, usam o telefone como se elas próprias fossem pagar a conta, deitam-se na cama do casal, se esgueiram pelos corredores como gatos, usam e abusam de todos os cômodos da casa, da entrada, da saída, das chaves para abrir e fechar portas e até do marido e dos filhos adolescentes. Para essas patroas, o ideal seria ter como empregada uma fada-madrinha, daquelas que voam por todos os cantos da casa e deixam tudo limpo e perfumado com um simples toque de varinha mágica.

O marido das patroas — e também seus filhos adolescentes —, ao contrário, não se incomodam nada com isso. Esses homens são seres pouco complicados ou exigentes. Para eles, esparramados no sofá na frente da TV, comendo pipoca e disputando campeonato de arrotos entre um gol e outro, pouco importam a esposa, a mãe, a empregada, a fada-madrinha, a varinha mágica, a casa, o raio que as parta, a puta que as pariu, o que quer que seja!

 




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