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21 de maio de 2020

Marionetes

Dulcina, a marionete de olhos tristes, cansou-se de só se movimentar pela vontade do titereiro. Quis ser independente, livrar-se de uma vez daqueles dedos grossos e gordurosos. Deu adeus e foi-se embora. Montou seu próprio teatro. Mandou fazer cortinas. Contratou músicos. Escreveu peças. Chamou os amigos e as amigas, marionetes iguais a ela, para que participassem do novo espetáculo.

A doce Julieta, a amiga mais próxima, estava em dúvida. Como vamos representar o Amor?, quis saber. Fizeram coro com ela os demais bonecos, acostumados a só seguirem a vontade do dono dos dedos grossos.

Simples, respondeu Dulcina. Como o Amor não existe, vamos inventá-lo do jeito que quisermos. Faremos o mesmo com a Verdade e com a Mentira.

 




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