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16 de julho de 2015

Menina

meninaNão mais que sete anos, caminhava sozinha pelo parque. Ia determinada, olhando as pessoas que passeavam naquela tarde de verão. Sob o chapeuzinho, cachinhos escuros. Graciosa no vestidinho azul. Numa das mãos, uma boneca de pano. Pezinhos bem fincados na sandalinha de plástico. Olhinhos curiosos, buscava algo enquanto seguia pela alameda. Percebi que ninguém a acompanhava em sua marcha resoluta. Cansada, sentou o corpo miúdo em um banco. Ainda que os pés não alcançassem o chão, cruzou as pernas como adulta, a boneca no colo.

Aproximei-me e me sentei ao lado. Ela não fez caso de mim, antes olhava as pessoas que passavam. “Está perdida, mocinha?”, perguntei. Olhinhos diretos nos meus, respondeu, com doçura e a típica insolência infantil: “Eu não, que eu não me perco nunca. Mas você podia encontrar o meu pai? Ele sim, está perdido por aí.”

 




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