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19 de abril de 2016

Mensagem ao senhor CEO

auditórioSenhor CEO,

Descrevo de forma resumida o que foi tratado na reunião à qual o senhor me enviou como representante de nossa empresa, assim como a conclusão referente ao assunto.

Foi muito boa a recepção aos participantes, feita por sorridentes e simpáticas Estagiárias de Comunicação e Marketing. Quando o evento teve início, todos os presentes tiveram que aguentar aquela sequência infindável de agradecimentos, parabéns e outras falsidades sobre as quais não vou me alongar. Prêmio pra fulano, medalha pra beltrano, menção honrosa pra sicrano — tudo igual a todos os outros eventos, nem vale a pena comentar aqui.

Depois veio o almoço, e todos se fartaram com a comida e a bebida grátis.

À tarde teve início a enfadonha exposição dos dados, que eram a razão do encontro —projeções financeiras, justificativas, metas a cumprir, previsões, estimativas, gráficos etc. Quando o auditório estava suficientemente sonolento (teve gente que até roncava, mas vou me abster de citar nomes), o palestrante oficial propôs a votação mais importante do dia. Umas duzentas pessoas que davam cabeçadas de tanto sono levantaram a mão para votar “sim” (desconfio de que a maioria desconhecia o assunto da votação). E o “sim” ganhou por esmagadora maioria. O encontro terminou e eu voltei ao hotel, mas grande parte dos presentes resolveu esticar a noite nas baladas da cidade, convidados pelos anfitriões do evento.

A decisão pelo “sim” significou o corte sumário de quarenta por cento dos funcionários de todas as empresas ali representadas, incluindo a nossa. Quantos desempregados serão adicionados às estatísticas já alarmantes de nosso país? Isso é incalculável.

Assim finalizo a descrição do evento. Nunca mais participarei de reunião semelhante. Tampouco espere que eu volte a trabalhar nesta empresa.

Atenciosamente,

Antonio de Almedia, ex-funcionário.

 




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  1. De fato, algumas reuniões de empresa se fazem com o propósito de obter um aval de corte do pessoal, de modo que nenhum chefe ou diretor responda pela medida drástica. “Infelizmente”, diz quem corta ao cortado, “isso não dependeu de mim.” É a comédia ou farsa da vida corporativa.

  2. Poderia muito bem ser uma reunião na universidade. E a decisão dos dirigentes seria cortar as bolsas de pós graduandos e aumentar a carga de aula dos doutores para que não consigam subir na carreira pois não vão conseguir atender os requisitos de número de publicações sem os alunos bolsistas nos grupos de pesquisa…

    • Concordo, Maria Helena. Dessas reuniões, em que os “grandões” decidem tudo, sem botar a mão na massa, nunca sai coisa boa. Obrigado pela visita ao blog. Volte sempre. Beijo.

  3.     
                        
              
            
                

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