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17 de julho de 2018

A mulher do meu conto

Não sai só de sua garganta. Vem também dos olhos, dos ouvidos, de seu peito, de sua barriga, da língua que tantas vezes tocou uma outra língua, da ponta dos dedos que já percorreu um outro corpo, de cada poro de sua pele que antes foi acariciada com delicadeza. Antes.

A mulher do meu conto segue gritando. Grita e não sabe por que nem para quem. Nada há nada no mundo que explique um grito assim. Mas ela o faz sem parar, e a única coisa que sabe é que não pode deixar de fazê-lo.

Que as mulheres dos meus contos, quiçá, nunca possam.

 




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17 de julho de 2018 < a href="http://homemdepalavra.com.br/author/mbaggio/" title="Visualizar todas as postagens por Mario baggio" rel="author">Mario baggio Contos conto, grito, mulher

               
              
            
                

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