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22 de junho de 2017

Não é nada, mas poderia ser algo

O peixinho colorido nada no aquário, indiferente ao interesse que desperta no gato, que o olha de frente, a pouca distância. O felino espreita, mas sabe que é inútil qualquer esperança de conseguir o que deseja. O outro, dentro da água, intui que está seguro, e por isso nada tranquilo.

O menino interrompe por um momento a lição de casa e observa o gato, que continua vigiando o peixe.

A mãe aparece na porta para se certificar de que o filho está fazendo os deveres. Lança os olhos de maneira rápida e distraída para o gato e para o peixe e sai, tem coisas a fazer. Nesse momento o pai, que cuidava do jardim, olha pela janela para dentro da sala e vê a mulher, o filho, o gato e o peixe.

Eu, com os olhos de ver além do que meu olhar capta, contemplo o marido, que vê a esposa, que vê o filho, que vê o gato, que vê o peixe. E, partindo de um nada, descrevo essa cena. Que continua a ser nada, mas poderia ser algo.

 




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22 de junho de 2017 < a href="http://homemdepalavra.com.br/author/mbaggio/" title="Visualizar todas as postagens por Mario baggio" rel="author">Mario baggio Prosa Poética gato, mãe, menino, nada, pai, peixe

               
              
            
                

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