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10 de janeiro de 2017

Não, tampouco, nunca, pode ser, depende, talvez, sim, às vezes, claro

Os partidários do Não apareceram timidamente, em grupos pequenos. Silenciosos, entediados mas seguros de si como costumam ser aqueles que dizem não. Os seguidores do Tampouco chegaram logo depois, dando apoio aos militantes do Não — o que é, por si só, uma redundância gritante, totalmente desnecessária. Os do Nunca, radicais desde sempre, vieram fazendo alarde: brandindo cartazes com xingamentos, distribuindo panfletos, gritando impropérios e confrontando os perplexos adeptos do Pode Ser, o grupo que vive em dúvida mas está o tempo todo aberto ao diálogo e à troca de argumentos. Perto deles concentravam-se os fiéis integrantes da agremiação Depende, uma recente cisão de todas as correntes anteriores, cujo símbolo estampado no estandarte que carregavam era a figura de um muro. Enquanto isso, os simpatizantes do Talvez — que antes se autodenominavam Quem Sabe e se vangloriavam de sua tradicional indecisão na hora de tomar partido —, depois de exaustivas discussões internas, resolveram dissolver o grupo antes que as Forças Institucionais da Ordem o fizessem. Fontes do Ministério das Agremiações Nacionais agradeceram aos membros do Talvez por essa inusitada atitude, a primeira em muitos anos de existência.

Logo chegaram os outros.

Os messiânicos partidários do Sim — uma gente amistosa, positiva, assertiva, sempre a favor; os militantes pegajosos do Às Vezes, carregados de pesquisas, estatísticas, variáveis e percentuais; e os fervorosos defensores do Claro, que, sem trazer nenhuma novidade ou contribuição, já davam tudo por resolvido e queriam ir logo para o boteco beber cerveja.

Na avenida apinhada, todos tiveram oportunidade de se manifestar e apresentar seus argumentos de forma apaixonada e arrebatadora. Mas logo chegou a polícia e circulando, circulando dispersou todo mundo. E tudo ficou por isso mesmo. Ou melhor: ficou tudo do jeitinho que era antes.

 




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