Close

15 de janeiro de 2019

Nazi

A diretora executiva de uma grande empresa norte-americana, com sede no Brasil, contempla sua imagem no espelho do banheiro. Veste saia azul e camisa branca. Tem quarenta anos, cabelos pretos e fartos amarrados num coque. Usa maquiagem discreta no rosto de traços finos. Apoia as mãos no mármore escuro da pia e aproxima o rosto do seu reflexo. Analisa o contorno dos olhos, o desenho do queixo, a curva das sobrancelhas, o limite entre a testa e o início dos cabelos. Está satisfeita com o que vê, duca!, diz baixinho para si mesma. Não hesita: desabotoa a camisa e tira um seio para fora. O mamilo arroxeado parece um deslocado terceiro olho, firme, incisivo, direto.

Num canto do banheiro, a mulher da limpeza torce um trapo e esfrega os azulejos da parede.

A executiva, rígida como um soldado, segura a teta branca com as duas mãos e aponta o bico para o espelho, desafiando um inimigo inexistente, abstrato, que só ela vê.

Azulejos limpos, a faxineira sai do banheiro em silêncio. As duas mulheres não se perceberam.

 




Tags:, , , , , ,
               
              
            
                

Deixe um comentário