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7 de outubro de 2014

Nem a morte os separa

Everaldo voltou para casa depois do sepultamento de sua mulher. Bebia uma cerveja quando a campainha tocou. Levantou-se para atender. Outra pessoa não era senão Eunice, a esposa que acabara de enterrar.

– Dá licença, Everaldo? Vim a pé até aqui e estou cansada.

– Mas… e o enterro, o sepultamento…? – Everaldo estava atônito.

– Sabe como é, a catalepsia… Isso é um perigo!

– Bom, Eunice, eu sinto muito.

– Em vez de sentir muito você devia ter verificado que eu não estava morta. Mas você sempre foi um banana mesmo, o que se há de fazer?

– Pronto, já vai começar a aporrinhação de novo! Será que eu nunca vou ter paz? Por que você não morre de verdade, Eunice?

O casamento de Everaldo e Eunice ainda durou alguns anos, até que ela finalmente morreu. De verdade.




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