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12 de maio de 2016

Nervoso

nervosoNão gosto de aeroportos em horário de pico. Fico incomodado, assustado, nervoso… quase em pânico. Tenho certeza absoluta de que, no meio de toda essa gente desconhecida — e que continuará desconhecida, pois é pouco provável que o Universo engendre outro encontro entre nós —, há, no mínimo, um policial corrupto, um suicida de quarenta e poucos anos, um marido cornudo, uma bailarina, um casal de noivos às vésperas do casamento, um casal às vésperas do divórcio, um claustrofóbico, alguém que vai morrer amanhã de manhã ou à tarde ou à noite, um cantor famoso (torcendo para não ser reconhecido, não receber convites para fotos e viajar em paz), um cantor no ocaso da carreira (torcendo para ser reconhecido e convidado para fotos), uma pessoa muito, muito triste, um terrorista, alguém corruptor e alguém corruptível, um adolescente entediado, um asmático, um portador de câncer, uma mulher que apanha do marido, um marido que bate na esposa, um escritor, alguém que esconde uma arma na bagagem de mão, um jogador de futebol, um funcionário público, um estuprador, um homem que não tem amigos, um garoto órfão, um maníaco, uma garota pela qual eu poderia me apaixonar, um político, uma atriz da Rede Globo, um integrante de torcida organizada, um empresário falido, um assassino e alguém que se parece muito comigo.

Perscruto, numa quase agonia, o rosto de todos, um a um. Não saber quem é quem me deixa muito, muito nervoso. E eu não gosto de ficar muito nervoso. Eu não respondo por mim quando fico muito nervoso.

 




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