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21 de janeiro de 2020

No outro lado da porta

No outro lado da porta vi meu avô morrer

quando ele não era mais meu avô.

Como se pode morrer sem se lembrar de que viveu?

 

No outro lado da porta vi meu pai morrer

e ele já não era mais meu pai.

Para onde terá ido aquele homem?

 

Não quero para mim essa herança,

não posso ter essa herança

tão pesada e tão intensa.

 

Mas eu sei

que no outro lado da porta

eu estou me esperando.

 




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21 de janeiro de 2020 < a href="http://homemdepalavra.com.br/author/mbaggio/" title="Visualizar todas as postagens por Mario baggio" rel="author">Mario baggio Poesia herança, outro lado, porta

              
            
  1. Rita Teixeira é nossa amiga comum – Sigo, sempre que posso, seus passos. E fui pega logo no primeiro fenômeno. Pra mim, poesia tem um quê de fenômeno. Abraço!

    • Roxana, muitíssimo obrigado pela visita ao blog e pelo comentário. Rita é uma querida, acho que você também sabe disso. Gostei de saber que você curtiu meu texto. Gullar dizia que a poesia dele nascia do espanto. Eu concordo. E concordo com seu ponto de vista: é também um fenômeno. Não me considero poeta, apenas escrevo meus sentimentos que, muitas vezes, vêm na forma de poema, na maioria das vezes vêm em formato de prosa. Enfim, os sentimentos comandam a ação, e eu obedeço. Grande abraço, mais uma vez obrigado e volte sempre.

  2.     
                        
              
            
                

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