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9 de junho de 2016

O abraço salvador

cristoNa Cidade Deslumbrante não há saída. Seus Filhos correm perdidos de um lado para o outro sob o olhar impassível do Pai.

Não há sossego, não há paz, nem descanso. A bala que zune, os homens que se armam, o sol que cega, o mar que invade, a baía que cospe lixo, a lagoa que vomita peixes mortos, a beleza que é desperdiçada todos os dias, a pobreza que agride, a violência que insiste em virar poesia, a casa pendurada no cai-não-cai, a dor que aperta o coração, a alegria que perde espaço para o medo, o corpo no asfalto, a noite que espanta, o dia que sufoca, o “não” que ninguém ouve, a droga que passa de mão em mão — os Filhos da Cidade Deslumbrante estão cansados e tristes.

Desamparados, e afogados no desalento, os Filhos olham para o céu. O Pai, consternado, os observa do alto, incapaz de um gesto porque, justo quando abriu os braços para dar-lhes o abraço salvador, petrificou-se.

 




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9 de junho de 2016 < a href="http://homemdepalavra.com.br/author/" title="Visualizar todas as postagens por " rel="author"> Prosa Poética abraço, filhos, pai

              
            
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