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13 de dezembro de 2018

O cisne branco

O pelotão da defesa fronteiriça conta com a ajuda valiosa de um cisne branco, que tem a capacidade de detectar, antes de qualquer um, a presença de inimigos. Um dos homens se encarrega de alimentá-lo e mantê-lo limpo. Apesar de os soldados trabalharem arduamente na tarefa ingrata de vigiar os limites do país, o cisne segue outra rotina, mais suave, e recebe tratamento digno de uma autoridade política. A forma que o animal tem de alertar os homens sobre a aproximação de gente indesejada é bater as asas de maneira frenética e emitir um som rouco que parece vir diretamente de seu estômago para a ponta do bico. É assim que o pelotão se apruma com rapidez e pode evitar surpresas desagradáveis como, por exemplo, a invasão de multidões trapentas e famintas.

O homem cuja função consiste exclusivamente em cuidar da ave é conhecido por todo o destacamento como Guardião do Cisne. O Guardião do Cisne passa as horas sentado ao lado do bicho, impassível, olhando para a frente, os sentidos em alerta. Os demais soldados costumam fazer piada com isso, mencionando uma hipotética relação de afeto, e até sexual, entre o guardião e seu protegido. Eles fazem isso só para se divertir e passar o tempo. O Guardião não se importa com as chacotas, até gosta. Olha de soslaio para a ave, certifica-se de que ela está confortável e satisfeita, e volta a olhar para a frente. Sorri, ele também satisfeito.

 




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13 de dezembro de 2018 < a href="http://homemdepalavra.com.br/author/mbaggio/" title="Visualizar todas as postagens por Mario baggio" rel="author">Mario baggio Contos cisne, guardião, pelotão, soldados

               
              
            
                

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