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4 de fevereiro de 2015

O cortejo

Cortejo-fúnebre

Durante um passeio pelo parque vi, do outro lado da rua, um cortejo fúnebre. Juntei-me a ele. É sempre mais animado caminhar ao lado de outras pessoas. Eu não sabia quem tinha morrido, mas que importa? Nós, os seres humanos, somos uma grande família ao redor do mundo, não somos? Além disso, sempre é possível perguntar à pessoa ao lado quem é o morto.

O homem que ia à minha esquerda também não sabia. Estou indo à lavanderia pegar umas roupas. Vi o cortejo, que vai na mesma direção que eu e resolvi seguir. Mas só vou até a próxima esquina, depois pego o caminho da praça e caio fora.

A mulher que estava à minha direita me olhou surpresa. De quem é o funeral? E eu é que sei? Morre gente todos os dias, isso aqui não é nenhuma novidade. O banco só abre às dez, e eu não tenho nada para fazer até lá, por isso resolvi caminhar um pouco.

O casal que ia uns passos atrás tampouco sabia informar. Nós somos turistas, estamos aqui de passagem. Mas o senhor pode perguntar àquela senhora de preto, ela tem jeito de viúva e deve saber.

Nesse momento começou a chover e eu abandonei o cortejo. Não vou me molhar todo por alguém que nem conheço pessoalmente.

 




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4 de fevereiro de 2015 < a href="http://homemdepalavra.com.br/author/" title="Visualizar todas as postagens por " rel="author"> Contos cortejo, parque, passeio, viúva

               
              
            
                

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