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14 de maio de 2015

O dever

indeciso

Os dois homens divergiam. Amigos desde sempre, e agora esse impasse. Então me dê pelo menos um motivo para continuar. Nós podíamos fingir que houve um erro e tudo estaria resolvido, Celso era pessoa de decisões rápidas.

Ele e Paulo lavavam as mãos, olho no olho no espelho sobre a pia. Tempo para perder não havia, decidir agora. Paulo procurava um motivo, pelo menos um, não achou. Limitou-se a contemplar o companheiro, talvez querendo que ele encontrasse uma justificativa para o que iam fazer dali a minutos – e que fosse uma razão além das teorias e das frases feitas. Há um dever a ser cumprido, mas cumprir com o dever nem sempre significa satisfação. Num acordo mudo, feito de olhares, decidiram que iriam adiante.

Depois de secarem as mãos, Celso e Paulo ficaram frente a frente e se abraçaram com força, olhos mareados. Palavra não disseram, nem precisava. Colocaram as máscaras e as luvas e cruzaram a porta que os separava do dever.

Dia seguinte, notícia nos jornais da cidade: Os cirurgiões Celso Rodrigues e Paulo Cruz operaram com sucesso o bandido conhecido como O Maníaco do Paraná, estuprador e assassino confesso de mais de trinta mulheres naquele Estado, que tinha sido baleado pela polícia e corria o risco de morrer.

 




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