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31 de maio de 2016

O dono

donoEle a espera na saída do trabalho e não demora mais que um segundo para pôr a mão em suas coxas. Mão e coxas, membros firmes, rígidos, unidos. Ela não o repele, antes estremece, úmida e entregue. Ao leve sinal de cabeça dele, ela o segue até o bar mais próximo e o acompanha escada abaixo. Ali mesmo, no banheiro masculino, ele a coloca de costas e a penetra com determinação e raiva. Ela geme baixinho, mas não o afasta. Enquanto movimenta os quadris, ele tira o celular do bolso e filma a cabeleira ruiva, a nuca suada e a cicatriz inconfundível que ainda está em seu ombro, feita por ele mesmo tempos atrás: sinal de território marcado. Capta também o som de sua voz: seus gemidos, a respiração arfante e o longo suspiro quando tudo termina.

Ela sabe que ainda hoje — daqui a pouco, daqui a uns poucos minutos — seu atual namorado receberá esse vídeo, presente semelhante que todos os anteriores também receberam. E que estará tudo acabado e ela, sozinha outra vez. E que esse homem, esse que agora a sujeita, a violenta e a humilha, não a procurará tão cedo. A menos que seja preciso deixar claro que ela — essa mulher de cabeleira ruiva — , que um dia foi sua, continua tendo dono.

 




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31 de maio de 2016 < a href="http://homemdepalavra.com.br/author/" title="Visualizar todas as postagens por " rel="author"> Contos dono, homem, mulher

              
            
  1. Na realidde ninguém é dono de ninguém. No entanto certos temperamentos são possessivos. Descrever esse sentimento exacerbado não é tarefa fácil. Você conseguiu retratá-lo em palavras muito bem.

  2. É bom retratar isso. Nos tempos atuais a mulher que ainda sofre desse mal deveria sim ser internada. A vida e muito mais que isso e Pinga e Sexo em qq boteco se encontra. É disso que é feita a tida felicidade???
    Bem retratado.

  3.     
                        
              
            
                

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