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6 de fevereiro de 2018

O ego destruído

Que era quase um artista, diziam dele. Executava tudo com perfeição e se gabava disso. Enaltecia seus próprios feitos. Sua inteligência era tão exuberante que lhe permitia fazer tudo o que para os outros era tarefa impossível. Durante anos fez o que quis e colheu elogios e admiração de todos. Praticou até crimes — perfeitos, como costumava ser tudo a que se propunha.

Saiu um dia à rua para passear e parou no meio de uma avenida, observando o entorno. A cidade já não era mais a mesma: tinha crescido, era outra coisa, diferente do tempo em que desfilava por ela jactando-se de sua destreza em lidar com tudo e com todos. Recusou-se a aceitar a mudança e no quê a cidade tinha se transformado. Isso não era para ele, não se parecia com ele e, portanto, não devia ser certo.

Permaneceu parado na avenida. Ergueu ao redor de si uma redoma de vidro e através dele contemplava a cidade que não parava de mudar. Aproximei-me e olhei fundo em seus olhos. O que vi foi um profundo desprezo por tudo o que não lhe dissesse respeito. Isto é, por toda a humanidade.

 




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6 de fevereiro de 2018 < a href="http://homemdepalavra.com.br/author/mbaggio/" title="Visualizar todas as postagens por Mario baggio" rel="author">Mario baggio Contos desprezo, ego, mudança

               
              
            
                

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