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9 de setembro de 2014

O estrangeiro

Ele completou trinta anos vivendo naquele lugar e ainda se percebia estrangeiro. Por mais que se esforçasse, suas entranhas lhe diziam que não era parte daquele povo, daquele país. Tinha aprendido a língua deles, assimilado seus costumes, conseguido um bom emprego e uma boa casa. Mas aquele incômodo sempre existiu: estrangeiro! Sempre que o olhavam na rua imaginava o que estariam pensando: esse não é daqui, é de fora. Era exatamente assim que se via: exilado, alheio, sem raízes. Um homem de fora.

Nos últimos dias a saudade da terra natal bateu forte. Queria voltar. Não apenas queria, mas necessitava. Sentia falta da paisagem de sua infância, da comida, das ruas de sua cidade, das casas velhas cheias de recordação e poesia. “Vou voltar”, decidiu.

Ao chegar à rodoviária da cidadezinha sentiu-se outro. Estava em casa. Reconheceu o ar, o azul do céu e os múltiplos verdes da vegetação. Encheu os pulmões e soltou a respiração devagarinho enquanto andava em direção ao centro da cidade. Feliz, buscava na memória, a todo momento, o eco do que suas retinas contemplavam: aquela casa, aquela esquina, aquela praça, aquela árvore. Ele queria encontrar os significados. Teve um choque quando o homem à sua frente o olhou nos olhos e perguntou: “O que você busca aqui, forasteiro?”.




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9 de setembro de 2014 < a href="http://homemdepalavra.com.br/author/" title="Visualizar todas as postagens por " rel="author"> Contos estrangeiro, forasteiro

               
              
            
                

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