Close

14 de julho de 2020

O fruto daquele ventre

Yerma tenta se manter calma e respirar de maneira compassada. Põe as mãos sobre os seios para sentir o coração. Não abre os olhos, não precisa, está sozinha. Acaricia a barriga e sorri: ainda está dentro dela, e suas entranhas ardem como um vulcão. Percebe que chegou a hora. Estrebucha, abre as pernas, empina o quadril, grita de dor. Sente que seu corpo se rompe em mil pedaços, mas não se importa. Está feliz. “Consegui, não estou seca”, pensa. O menino nasceu morto, mas ela ainda não sabe.

 




Tags:, , , , , , ,
               
              
            
                

Deixe um comentário