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27 de agosto de 2015

O futuro, logo ali na esquina

futuro2ENTREVISTA

Será um tempo de temperaturas acima dos trinta e cinco graus. Teremos um grande período de escassez de alimentos e água, e não haverá combustível para os automóveis. As grandes cidades ficarão paralisadas. As crianças morrerão de inanição. Os hospitais estarão fechados. Os supermercados, com as prateleiras vazias. Haverá morte por um pedaço de pão. Surgirão uns poucos heróis e mártires, que darão a vida pela comunidade, mas ninguém lhes fará caso, pois todos estarão ocupados buscando comida nas sarjetas, nos bueiros e nas latas de lixo.

– De acordo, candidato, mas eu não me referia a isso quando lhe perguntei como você se vê na empresa dentro de dez anos.

 

AS HIENAS

A crise atingiu índices alarmantes naquele país. Os banqueiros, os altos executivos das empreiteiras e os políticos estavam à espreita. As empresas quebravam todos os dias, os negócios eram desfeitos a cada minuto, as famílias choravam. Os primeiros a abandonar o barco foram os jovens. Agora convertidos em imigrantes em outros países, tiveram que construir seu futuro à força de braços, suor e lágrimas.

Pouco tempo depois, com a miséria e o desemprego à porta, os pais de família e as corajosas mães encheram barcos e aviões com suas mirradas esperanças, rumando a outros horizontes e a terras estranhas, na busca por melhores dias. Os banqueiros, os políticos e os especuladores apertaram as mãos com sorriso no rosto. Abutres, chafurdaram na carniça: casas abandonadas, condomínios inteiros vazios, fábricas mortas, edifícios habitados por ninguém – tudo agora era deles!

Transitando pelo país deserto, os algozes do povo mordiam-se entre si, hienas raivosas, na disputa pelo butim de uma terra arrasada. Todos felizes.

 




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