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15 de junho de 2016

O futuro

imigranteQuando notei que meu futuro se aproximava do fim, corri até a loja mais próxima para comprar um novo estoque. Eu estava com pouco dinheiro no bolso, mas tinha as minhas economias, que eu nunca fui esbanjador. Minha intenção era adquirir pelo menos cinco anos, talvez seis ou sete, se o preço estivesse bom. Eu sei que isso não é um futuro muito animador, mas, considerando a minha idade, já estaria de bom tamanho. Pelo menos daria para manter minha família e minha casa em boas condições até que a situação do país melhorasse.

Mas as coisas não saíram como eu imaginava. O atendente me disse que ainda ontem o governo tinha baixado um novo imposto para alguns produtos, e por isso o preço deles sofrera acréscimo. E começou a me explicar que tipo de imposto era, mas eu não estava com a menor paciência para ouvir, só estava ali por meu futuro. Mesmo assim, ele fez questão de me apresentar a lista de produtos majorados e — bingo! — o futuro estava entre eles. Junto com itens de primeira necessidade como arroz e feijão, vestuário, remédios e artigos de higiene pessoal, lá estava justamente o que eu buscava: futuro.

O atendente continuou falando, mas eu nem prestei mais atenção. Meu cérebro só processava um pensamento: o futuro está mais caro. Quase entrei em desespero quando percebi que o dinheiro que tinha no bolso, somado às minhas economias, não daria para comprar mais que seis meses e alguns dias de futuro. Meio ano, meu Deus! O que vou fazer com a porcaria de meio ano de futuro?

Saí da loja desconsolado, derrotado, abatido. Nessas horas as pessoas costumam olhar para o céu, não em busca de beleza, mas de solução. Foi o que fiz. Olhei para o céu e implorei por uma saída. Em meio ano terei chance de economizar de novo, do jeito que está o país? Daqui a seis meses eu vou ficar sem futuro de novo! E, sem futuro, eu vou fazer o quê? Fui a pé pra casa, de cabeça baixa, pensando no que diria quando chegasse lá.

— Roseli, Carlinhos e Juninho, prestem atenção: estamos sem futuro! — a melhor coisa é ir direto ao ponto, sem rodeios. E que Deus me ajude.

 




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