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19 de fevereiro de 2015

O grande Leonardo

leonardo

Três mil anos de literatura, mais de um século de arte cinematográfica e sete décadas de televisão, sem contar os séculos de artes plásticas, têm convertido esse assunto em algo falso e batido, não mais que um artifício vulgar e uma grande bobagem, por isso eu lhe juro, meu amor, que isso que você está vendo não é o que parece. O valor empírico da imagem que você acredita estar vendo agora teria relação, numa primeira instância e numa primeira leitura, com a teoria da infidelidade, mas, se levarmos essa imagem a um sentido mais metafórico, você verá que o fato de eu estar aqui, aparentemente – aparentemente, eu disse! – de cueca, mais ou menos em cima de, ou sobre a nossa querida vizinha Marineide, e ela se encontrar em uma posição que podemos chamar de tântrica (o que, a olhos inexperientes, poderia ser qualificado de dog style ou, num português chulo, de estilo cachorrinho), de modo algum isso dá margem a que você tire conclusões precipitadas. Seria bem melhor se analisássemos tudo isso à luz da cultura figurativa do grande Leonardo da Vinci e de seu estudo sobre a quadratura do círculo, que nos trouxe a insuperável noção de perspectiva ao estabelecer que o olho nunca pode ser juiz certeiro para determinar com exatidão a distância entre um objeto e outro semelhante a ele. E, analisando como você está reagindo, querida, vendo esses seus olhos cheios de fúria, não tenho outro remédio a não ser percorrer agora mesmo a distância que vai do seu ponto de vista até meu ponto de fuga, amor, amorzinho, querida!

 




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19 de fevereiro de 2015 < a href="http://homemdepalavra.com.br/author/" title="Visualizar todas as postagens por " rel="author"> Contos infidelidade, leonardo

               
              
            
                

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