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17 de outubro de 2016

O guarda-chuva

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Num canto do ponto de ônibus jazia um guarda-chuva. Enorme, negro, com as varetas de metal tortas e enferrujadas. Alguém não precisou mais dele, findo o aguaceiro da manhã. Com o sol brilhando forte, quem necessita de guarda-chuva? Nas ranhuras do pano preto podia-se perceber uma tristeza infinita, talvez um amor não correspondido, um perdão nunca dado ou apenas a dor do abandono puro e simples, como a dos chinelos velhos, largados quando não têm mais serventia.

Seria outro candidato à lata de lixo mais próxima quando a equipe de limpeza passasse por ali, não fosse o mendigo que, naquele exato momento, iniciava sua ronda no farejo da benevolência alheia. Ele o pegou e avaliou seu peso e condições. Não se importou com as varetas tortas. Colocou-o no ombro e saiu andando em direção a lugar nenhum, que é o que fazem esses seres que vão pela vida com o pouco ou nada que têm e um sorriso largo na cara.

 




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17 de outubro de 2016 < a href="http://homemdepalavra.com.br/author/" title="Visualizar todas as postagens por " rel="author"> Contos guarda-chuva, mendigo, sorriso

              
            
  1. Linda obra! Felizmente algumas pessoas ainda se contentam com o pouco e valorizam pequenas coisas alheias. Tudo isso, com um sorriso no rosto!

  2.     
                        
              
            
                

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