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12 de outubro de 2018

O meu bonsai

Tenho um bonsai. Uma árvore minúscula, que não cresce, sabedora de seu limite de altura desde o nascimento, quando foi criada por mãos que dominavam segredos botânicos. Oferece-se ao olhar e ao deleite, nada mais. Como todas as árvores, produz folhas novas, ao mesmo tempo em que abre mão das que já viveram muito. O tempo também passa para os bonsais.

Observei, há várias semanas, enquanto tirava do vaso as folhas secas, um farfalhar nas ramas mais altas da copa. Temi alguma praga, algum bicho impertinente, alguma larva incômoda que pudesse prejudicar a vida serena do meu bonsai, mas não: era uma família de pássaros. Diminutos pássaros, diminuto ninho, pai, mãe, dois filhos, vivendo sua pequenez nos galhos escassos, nas folhas poucas, no muito horizonte. Quem poderia imaginar que minha pequena árvore abrigaria outras vidas que não somente a dela própria?

Passo bastante tempo admirando os pequenos pássaros do meu bonsai.

Minhas mãos não são segredosas como as que criaram a arvorezinha, mas, animado pela passarinhada que ali encontrou abrigo, decidi experimentar. Colocarei o bonsai num vaso maior, cobrirei suas raízes com terra nova e a inundarei até conseguir uma boa quantidade de barro. Pelo que li, há grande chance de a mescla de água e terra produzir um ser humano. Um novo.

 




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12 de outubro de 2018 < a href="http://homemdepalavra.com.br/author/mbaggio/" title="Visualizar todas as postagens por Mario baggio" rel="author">Mario baggio Contos árvore, barro, bonsai, pássaro, ser humano

              
            
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