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31 de outubro de 2018

O nome do filho

Engravidou lá pelos quinze anos, mas não sabia de qual menino, dos muitos com quem andava e com quem se divertia nos rolezinhos da marquise do Ibirapuera. Não se importou. Em casa a mãe tinha outros cinco, uns mais, outros menos velhos que ela. Tinha a Tarciana, de dois anos, que vivia no colo de alguém e vai ser uma moça linda. Domingo à noite, a turma reunida na marquise pra fumar, sempre tinha um que vinha com graça pra cima dela e convidava. Ela ia. Agora, barriga feita, teria uma coisa só sua pra cuidar.

Pôs um nome que ouviu por aí e que lhe pareceu forte e importante, como imaginava que seu filho seria. Donaldson, esse o nome. Virou Nado e perambulava. Tinha dia que voltava pra casa, tinha dia que não. Era moleque famoso no bairro.

Ouviu a pivetada chamando por ela. Gritavam mataram o Nado. Ela correu até o terreno baldio e viu o buraco na testa do menino de quinze anos, com nome importante, e tão morto como o Furreca, o Barnabé e o Orelha.

 




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31 de outubro de 2018 < a href="http://homemdepalavra.com.br/author/mbaggio/" title="Visualizar todas as postagens por Mario baggio" rel="author">Mario baggio Contos filho, nome

               
              
            
                

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