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25 de maio de 2020

O ofício

Eu gostaria muito que você nunca tivesse aprendido. Maldito seja o dia em que a sua madrinha Tereza lhe ensinou o ofício. Por que não ficou solteira, como ela? Tinha que se casar comigo? Estou farto, sabe?, farto de ser interrompido a todo momento. Como hoje, dia do nosso aniversário de casamento, no meio da festa. E também no Natal, no Dia dos Namorados, no domingo de Páscoa, na primeira comunhão do Mateuzinho, na formatura da Bia… Não suporto mais o jeito como as pessoas me apontam na rua. “Olha lá o marido da carpideira, coitado!” E o pior de tudo, Isaura, é que desconfio que, quando eu morrer, as suas lágrimas no meu velório serão tão falsas quanto essas que você derrama por aí.

 




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