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27 de junho de 2017

O padeiro

Jurandir, o padeiro, amassa seus pensamentos dentro dos pães. Com as mãos mergulhadas na mistura de farinha, fermento, sal e água, ele pensa e sonha paisagens de aquarela, risos espontâneos, olhares generosos, abraços solidários, tempos de harmonia e paz. Quando separa a massa em montinhos, cada um deles carrega dentro um pedaço da beleza imaginada por Jurandir.

Os fregueses da padaria percebem, de alguma maneira, o sabor diferente que têm os pães feitos por ele. Talvez seja por isso que todos sorriem assim que metem os dentes naquela massa tenra e delicada. Eu, que o conheço desde que éramos crianças, peço sempre que pense, quando estiver amassando a farinha, em pontes sobre rios calmos, praias ensolaradas e campos floridos na primavera. O pão que sai disso é sempre saboroso.

Outro dia comi um pão equivocado. À medida que engolia os bocados, via paisagens cinzentas e tristeza nos olhos das pessoas que passavam. Vai ver o Jurandir perdeu a mão. Ou está sofrendo por amor. Ou então foi tomado por uma tristeza súbita que lhe turvou os olhos, a mente e o coração, nesses tempos em que a tristeza não escolhe lugar onde se deitar. Melhor esperar a próxima fornada.

 




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27 de junho de 2017 < a href="http://homemdepalavra.com.br/author/mbaggio/" title="Visualizar todas as postagens por Mario baggio" rel="author">Mario baggio Contos massa, padeiro, pão, pensamentos

               
              
            
                

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