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15 de novembro de 2016

O passado que assombra

passado

Quando todo mundo parece imerso numa caminhada até nenhuma parte, ele interrompe os passos e tira o chapéu para melhor olhar ao redor. Levanta os olhos para o céu buscando um avião, mas só vê nuvens gordas e lentas. Volta a pôr o chapéu na cabeça e retoma o andar decidido, certeiro, de quem sabe a direção.

Percorre a cidade em busca de uma mesa de bar, um banco de parque, uma chamada no telefone celular, um sorriso entre duas pessoas que se encontram casualmente na calçada. Foge das ruas principais para chegar aos seus lugares preferidos e secretos. Quando chafurda no lodo das recordações, ouve o ruído de um avião que deixa a cidade rumo ao ignorado. Dessa vez não tira o chapéu nem olha para o alto, que um avião que deixa a cidade já não importa mais. Deixa-se ficar quase imóvel, passeando a memória na superfície de um passado que começa nas nuvens e o persegue no asfalto, justo ali, quando agora todos parecem saber aonde vão e ele tenta iniciar uma caminhada até nenhuma parte.

 




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