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6 de junho de 2017

O pincel de pelo de texugo

Ao chegar a São Paulo vindo de Londres, Fernando abriu a mala e percebeu a falta de seu pincel de barba. Era um pincel de pelo de texugo, objeto de grande estimação. Desolado, andando de um lado ao outro do quarto, ele procurou rememorar, em vão, os últimos instantes antes de fechar a mala para a viagem de volta, tentando se lembrar de onde o deixara. Era um pincel realmente especial, e Fernando tinha muito carinho por ele, um carinho que se tem por uma amante da qual não se quer ficar longe. Conformou-se, a contragosto, com a perda de objeto tão precioso. Sentiu-se viúvo.

Procurou um substituto nas perfumarias da cidade, mas a todos Fernando desprezou. Nenhum pincel era como aquele de pelo de texugo, que não soltava as cerdas e acariciava seu rosto como nenhuma mulher fizera até então. Ele sabia que seria esse pincel quem o acompanharia até o fim da vida, o único que lhe faria companhia quando nada mais houvesse além da solidão. Estava desolado.

Fernando refez a mala de imediato e rumou para o aeroporto. Na manhã seguinte chegaria a Londres, disposto a encontrar, a qualquer preço, o seu pincel de pelo de texugo.

 




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6 de junho de 2017 < a href="http://homemdepalavra.com.br/author/mbaggio/" title="Visualizar todas as postagens por Mario baggio" rel="author">Mario baggio Contos objeto, pelo, pincel, texugo

               
              
            
                

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