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29 de junho de 2016

O presente

o presenteEnquanto os adultos fazem a obrigação comparecendo com caixas de camisa ou sapatos que ele nunca usará, Camilo se aproxima do avô, dá-lhe um beijo no rosto e lhe estende um pequeno embrulho:

— Aqui está, vovô, esse é o meu presente para o seu aniversário. Pode abrir, sei que o senhor vai gostar. É só puxar esse laço de fita, assim. É bem bonito, né? Um livrinho pequeno, com capa do Homem-Aranha, cheio de folhas coloridas. Olhe só, pode arrancar todas, assim, tá vendo? Elas são adesivas, e a gente pode colar em qualquer lugar. Eu escrevi uma palavra em cada uma delas: cadeira, armário, mesa, prato, colher, cama, lâmpada, espelho, banheiro, chinelo, roupão, que eu já aprendi a escrever na escola. Tudo o que o senhor tem aqui no quarto do asilo. Agora nós vamos pregar cada folha no lugar, direitinho, que é pro senhor não se esquecer. Vou também pregar uma na minha camiseta do Batman. Olhe, escrevi Camilo na minha folha, Ca-mi-lo. Sempre que eu vier visitar o senhor, eu venho com ela pregada na roupa. Assim o senhor não vai poder dizer que não se lembra do meu nome. Viu só, vovô, como é facinho?

 




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    • Ascrianças não têm o sentido de “obrigação” dos adultos. Elas fazem o que fazem com sinceridade, com o coração. Quando crescem, aí estragam tudo, infelizmente. Obrigado pela visita. Abraço.

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