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10 de junho de 2020

O que não era antes

A luz de hoje não é a mesma luz de ontem:

o dia sabe estrear uma claridade nova a cada amanhecer.

Não respiramos ontem o ar de hoje,

tampouco será o mesmo ar amanhã

ou depois de amanhã: o vento será outro,

a brisa será distinta, nada se repetirá,

como a água do rio que corre.

Essa água, esse rio em que mergulhamos os pés

não é a mesma água, o mesmo rio de ontem

ou de minutos atrás: a natureza não reprisa.

 

A cada dia nosso pão é outro.

Nossos olhos, outros.

Outras as nossas células,

nossas plaquetas, nossos glóbulos brancos.

Nossa pele é distinta a cada raiar,

nossas olheiras, nossos gestos.

Imperceptível, mas é.

 

Constante, quieta

só a essência do que é inerte,

do que já morreu.

 

 




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